quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Carro Flex no Brasil - algumas "teorias" tiveram de passar de verdades a lendas


O carro flex surgiu no Brasil como uma espécie de cartada para salvar o Proálcool,  programa governamental criado em 1975 que instituía a oferta de álcool combustível em substituição a gasolina.
Desde o início, o Proálcool envolveu vários setores produtivos. À indústria automobilística nacional coube a adequação dos motores ao novo combustível. O resultado inicial foi o carro movido exclusivamente a álcool. Assim, a utilização do novo combustível passava  pela escolha compulsória do modelo na hora da compra do carro novo ou pela alternativa de submeter o carro usado a uma cara e nem sempre compensadora conversão.

 Após explosivo sucesso o programa entrou em declínio por falta de credibilidade junto ao consumidor. Os principais motivos da descrença eram variações constantes do preço e características do álcool até a falta desse combustível nas bombas. Filas em postos e o risco de ficar com o carro parado faziam do carro a álcool um verdadeiro pesadelo para seus donos. Também não foram poucos os casos de danos nos motores devido a combustíveis fora de especificação. O complemento da oferta pelas importações de álcool de uva transformava os carros a álcool em verdadeiros gambás mecânicos com seu odor insuportável. Já a mistura com metanol resultou em vários casos de intoxicação com registro de mortes e cegueira devido a ingestão das chamadas "peruas" preparadas, inadvertidamente, com o álcool batizado comprado nas bombas de postos de abastecimento automotivo.


Nesse contexto, a aposta no carro flex foi bem sucedida, este logo ganhou a preferência do consumidor que viu como grande vantagem a liberdade plena na escolha entre os dois tipos de combustível, incluindo mistura, na hora de abastecer. Tornou-se quase unanimidade, mas tecnicamente deixa muitas dúvidas e levanta polêmicas quanto a sua eficiência. Muitos reclamam do consumo mais alto em relação aos automóveis projetados para o uso de apenas um dos dois combustíveis.  Isso sem entrar no julgamento da instituição do Proálcool que é tido por muitos como um programa de concepção torpe e prejudicial à nação. Isolamento tecnológico e a concorrência com a produção  de alimentos são as principais reclamações.

Mas, o que traz o carro flex ao foco deste blog é o fato de seu lançamento ter mostrado que lendas  e mitos não nascem só no meio leigo. Pois bem, logo de cara, o carro flex obrigou aos engenheiros e especialistas ligados ao meio automobilístico reverterem totalmente a unânime afirmação que preconizavam, de que não se podia misturar álcool hidratado e gasolina no tanque do carro. Uma "verdade" estabelecida que teve que ser oficializada como lenda.
Também a  expectativa criada para o novo carro de que graças a maior taxa de compressão do motor, seria mais econômico que o carro a gasolina, quando abastecido com o mesmo combustível,. não se confirmou. Até hoje a afirmação dos usuários é de que o resultado é justamente o contrário. Vejamos um pouco desse embrolho mais de perto.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Japoneses inventam carro movido a... água !?


Uma das lendas bastante recorrentes na área automobilística é a do carro á água. Aqui no Brasil, já tivemos vários anúncios de "professores Pardais" que desenvolveram algum tipo de  motor movido pelo abundante líquido indispensável à vida. Em geral, a história termina com um misterioso sumiço do protagonista que desaparece sem ninguém ter notícia de quando ou como. Supostamente, vítima de um sequestro maquiavélico  encomendado pela alta cúpula de alguma das empresas de petróleo que certamente sentiam seu poderio econômico ameaçado pelo invento. A última notícia da criação de um desses desejados veículos veio de longe, da terra dos Pokemons, e alcançou os quatro cantos do planeta, ainda que com pouca densidade.

Não é difícil constatar a razão do insucesso desses inventos. Basta examinar alguns casos que ficaram registrados na imprensa e que ainda hoje incitam muitos crédulos esperançosos, depois, rever um pouco de química básica para entender a fragilidade da proposta.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Carro a Ar-comprimido, a revolução do Século XXI !?


Dizem que mentira tem pernas curtas. Nem sempre! Vejamos o caso da MDI com seu carro movido a ar. Uma invenção antiga, já secular, reconhecidamente ineficiente e quase esquecida que foi tomada como novidade e alardada aos quatro cantos como uma revolucionária invenção do Sr. Guy Nègre.
Após criar grande expectativa pública e grande número de interessados com mentiras, falsas promessas e muita propaganda, e de posse de uma longa lista nominal de interessados, Nègre passou a investir na venda de  milionárias plantas e "licenças exclusivas" para a instalação de fábricas imaginárias de um carro que só existia como protótipo e nunca teve seu uso avaliado por nenhum órgão ou pessoa isenta ao empreendimento.
Um grande conto do vigário que até hoje  fascina bravos defensores de um mundo melhor que, na sua boa intenção, não conseguem perceber que foram ofuscados pelo "brilho de um falso brilhante" e nem tão pouco desconfiam que quando manifestaram seu interesse em adquirir um exemplar do carro anunciado através de uma lista  nominal criada pela MDI, na verdade estavam  servindo aos planos da empresa de criar um forte e atrativo argumento para convencer inventidores a comprarem plantas de fábrica e licenças para produção do carro dos sonhos do Sr. Guy.

PINTANDO A LEBRE
A notícia  da criação do carro movido a ar-comprimido da Motor Development International - MDI, lançado inicialmente em 2001 na Europa, foi recebida com entusiasmo por muitos, chegando a provocar verdadeira euforia  entre os ecologistas e ambientalistas, principalmente os amadores. Em pouco tempo, os mais deslumbrados com a notícia também passaram a externar o sentimento de preocupação com os “inimigos poderosos” que certamente a  MDI teria por ameaçar o lucro dos gigantes do petróleo, entre outros.

As promessas de não gerar poluição atmosférica, sonora e ambiental, não consumir combustível e só precisar de ar para funcionar eram motivo de muita expectativa e ansiedade. Notícias replicadas incessantemente na Internet davam conta de que o revolucionário motor  inventado pelo engenheiro francês Guy Nègre seria “um dos maiores avanços técnico-científicos do Século 21”.