sexta-feira, 18 de março de 2011

Carro a Ar-comprimido, a revolução do Século XXI! Verdade, mentira, mito ou falácia?


Dizem que mentira tem pernas curtas. Nem sempre! Vejamos o caso da MDI com seu carro movido a ar. Uma invenção antiga, já secular, reconhecidamente ineficiente e quase esquecida que foi tomada como novidade e alardeada aos quatro cantos como uma revolucionária invenção do Sr. Guy Nègre.
Após criar grande expectativa pública com mentiras, falsas promessas e muita propaganda enganosa - numa campanha que estrategicamente fisgou uma longa lista nominal de interessados - Nègre passou a investir na venda de  milionárias plantas e "licenças exclusivas" para a instalação de fábricas imaginárias de um carro que só existia como protótipo e nunca teve seu uso avaliado por nenhum órgão ou pessoa isenta ao empreendimento.
Um grande conto do vigário que até hoje  fascina bravos defensores de um mundo melhor que, na sua boa intenção, não conseguem perceber que foram ofuscados pelo "brilho de um falso brilhante" e nem tão pouco desconfiam que quando manifestaram seu interesse em adquirir um exemplar do carro anunciado através de uma lista  nominal criada pela MDI, na verdade estavam  servindo aos planos da empresa de criar um forte e atrativo argumento para convencer investidores a comprarem plantas de fábrica e licenças para produção do carro dos sonhos do Sr. Guy.

PINTANDO A LEBRE
A notícia  da criação do carro movido a ar-comprimido da Motor Development International - MDI, lançado inicialmente em 2001 na Europa, foi recebida com entusiasmo por muitos, chegando a provocar verdadeira euforia  entre os ecologistas e ambientalistas, principalmente os amadores. Em pouco tempo, os mais deslumbrados com a notícia também passaram a externar o sentimento de preocupação com os “inimigos poderosos” que certamente a  MDI teria por ameaçar o lucro dos gigantes do petróleo, entre outros.

As promessas de não gerar poluição atmosférica, sonora e ambiental, não consumir combustível e só precisar de ar para funcionar eram motivo de muita expectativa e ansiedade. Notícias replicadas incessantemente na Internet davam conta de que o revolucionário motor  inventado pelo engenheiro francês Guy Nègre seria “um dos maiores avanços técnico-científicos do Século 21”.


O site da MDI, empresa de Nègre, tinha versões em vários idiomas, inclusive uma voltada para o Brasil. Foi marcado para junho de 2006 um evento em São Paulo para captar investidores, lá seria feito a apresentação do carro. O evento houve, mas o carro não pode desembarcar no país por conta da empresa não haver providenciado alguns trâmites a tempo. Fato que deixou em alerta os que acreditavam no interesse dos poderosos em impedir a disseminação do invento como bem de consumo. Do lado dos céticos, foi reforçada a ideia de que algo tão fantástico assim só podia ser mesmo "coisa para inglês ver".
Mas, para quem duvidava que um carro pudesse funcionar “só com ar”, uma enxurrada de vídeos na Internet e programas televisivos provavam que o carrinho se movia com desenvoltura e, incrivelmente, do escapamento só saia ar. A estratégia de marketing da empresa usou e abusou do argumento triunfal do Sr. Guy Nègre de que o extraordinário carro realmente funcionava a olhos vistos!
Não bastasse, ainda trazia outras  vantagens magníficas como a do ar-condicionado gratuito. O motor além de liberar ar mais limpo que quando aspirado o expelia a temperaturas que chegavam abaixo de zero!

Uma revista automobilística brasileira publicou as impressões ao dirigir do carro, em 2008, com ilustrações do funcionamento do motor. Mas não expressou nenhuma avaliação do que o projeto representava em termos técnico-científicos. 
Nègre, que teve incursão na fórmula 1 como engenheiro, havia iniciado seus trabalhos no desenvolvimento do projeto MDI nos primeiros anos da década de 90. Depois de mais de dez anos de intensa dedicação, viu que era chegada a hora de recuperar o investimento. O inventor não planejou vender, aos ansiosos interessados, o fantástico carro ecológico “que utiliza uma tecnologia quase alienígena, típica de filmes de ficção científica” (frase atribuída a ele, num dos sites que visitei).
O projeto traçado e posto em prática por Guy foi bem mais ambicioso. Com aproximadamente 30 patentes em mais de 130 países diferentes, o engenheiro francês passou a negociar verdadeiras galinhas dos ovos de ouro: “... licenças exclusivas para a instalação de fábricas e também para numerosas concessões dos serviços técnicos, peças e a venda de energia” a afortunados milionários. A ordem dos valores da negociação acho que não foi ventilada. Pelo menos, nada encontrei, apesar de ter vasculhado muito. Certamente, não deve ter sido nada tímida.
Em 2008, a mídia noticiou o interesse confirmado de uma grande empresa em ter a concessão da fabricação do carro a ar; não menos do que a indiana Tata Motors, a mesma do Nano.
Com todo esse aval será que ainda dá para desconfiar desse empreendimento que se mostra tão amigável ao meio-ambiente e igualmente promissor?...

DESVENDANDO O GATO
É quase increditável a MDI ter conseguido vender suas milionárias "licenças exclusivas para a instalação de fábricas", sem que existisse uma sequer em atividade. Investidores terem pago milhões de dolares para terem o direito de produzir um carro que só existia como protótipo. Protótipos que nunca foram postos a prova. E dos quais os investidores só conheciam,  pela boca da MDI, as promessas subjetivas de sua viabilidade e os otimistas valores de desempenho e consumo, nunca aferidos.

Guy Nègre sempre se negou a fornecer seus protótipos a centros de pesquisa ou revistas especializadas para que fossem efetuadas aferições como consumo, autonomia, desempenho e custo por quilômetro rodado. As cessões feitas foram a jornalistas de programas de televisão e de revistas automotivas para breves test-drives controlados por sua equipe. Algo que não trazia nenhum aval técnico, mas que gerou bastante expectativa e interesse do público. Com o interesse pelo carro em alta, a MDI pôs  em prática um de suas primeiras ações: Obteve a lista de interessados na compra do carro pela Internet. Lista totalmente descompromissada, coletada sem nenhum requisito ou amaração de acordo. Mas, que serviu como argumento para atrair investidores. E assim, conseguiu, sem ser uma empresa cinematográfica, manter seu empreendimento lucrativo por vários anos vendendo apenas ilusão.

Era de se esperar, no mínimo, que a empresa fornecesse carros a alguns clientes escolhidos para que fossem avaliados em condições normais de uso. A Chrysler fez isso quando desenvolvia o carro turbina. Confiou, integralmente, aproximadamente duzentos carros a clientes selecionados, que em conjunto, rodaram mais de um milhão de milhas com controle total da posse do carro. A MDI nunca cedeu um sequer a ninguém.

Há muitas inverdades e argumentos vazios na divulgação do carro a ar da MDI. Esses, foram tão bem impregnados de sencionalismo que sustentaram uma campanha de explosiva repercussão por vários anos. O sucesso da estratégia praticamente ocultou da massa leiga de interessados uma concepção claramente ineficiente e torpe aos olhos da ciência e da técnica.

Mas, vejamos mais a fundo as propagadas inverdades :

"O Sr. Guy Nègre inventou um motor revolucionário..."        
           - Alto lá! Nada disso. O motor a ar-comprimido é tão antigo quanto o motor a combustão interna, senão mais antigo. E não é só isso, na França, país onde o Sr. Nègre nasceu, houve entre o final do século XIX e início do século XX,  exploração de linha regular de bondes movidos a ar-comprimido. Aliás O motor a ar-comprido, com ciclo de compressão, Mekarski que foi desenvolvido no ínicio do século XX, se assemelha muito ao motor do MDI, conforme descrições encontradas facilmente na Internet.

"O carro da MDI fuciona apenas com ar, não gera poluição, nem consome combustível"
         - Meias verdades são uma boa forma de manipulação; O carro a ar   não funciona simplesmente com ar, exige ar-comprimido que precisa ser produzido e disponibilizado ao usuário de forma sistemática. Isso requer consumo de energia, envolve atividades de produção e comércio, com todos seus custos, inclusive incidência de impostos.
          - O processo de obtenção do ar-comprimido, dependendo da fonte primária da energia utilizada, gera mais ou menos poluição, mas sempre gera.
          - A eletricidade distribuída nas redes - insumo de quase toda atividade produtiva na atualidade - é obtida a partir do consórcio de várias fontes primárias e o petróleo ou gás sempre entra na composição, inclusive no Brasil. Indiretamente o carro a ar consumirá combustível se utilizado, mesmo em pequena escala.
 E os discursos carregados de argumentos vazios e sensacionalismo:

"Um carro movido a ar? E funciona? A estas perguntas, colocadas com um tom de incredulidade, o engenheiro francês Guy Nègre, sempre responde com rotundo “sim, funciona!”
          - Se for "ar-comprimido",  funciona! Tanto quanto um motor a gasolina, diesel ou a vapor, e de modo muito parecido, sabe-se disso há mais de um século. Motores a ar-comprimido já movimentaram bondes, trens e automóveis e, atualmente têm algumas aplicações, em áreas que vão de ferramentas industriais a broca de dentistas.
          As questões a serem vistas são: o rendimento energético de todo o sistema, o custo da obtenção do ar-comprimido e a competividade frente a outras modalidades de tração, incluindo-se toda a infra-estrutura necesssária. Esses fatores sempre estiveram estrategicamente fora de discussão na campanha da MDI e, se avaliados técnica e friamente, demostram uma proposta patética, apesar do cerco de tantas patentes.

"O carro da MDI já oferece ar-condicionado de graça. A temperatura do ar purificado que sai do escape está entre 0ºC e - 30ºC."
          - A viabilidade da utilização do ar de escape como ar-condicionado, exigiria a implementação de um sistema de contrôle apurado, pois o ar liberado no motor apresenta fluxo e valores de temperaturas muito irregulares - variando com o regime de utilização do motor.
          Aliás, o ar frio de escape se dá a um custo bem elevado. É resultado da baixa eficiência térmica do sistema como um todo. Evidencia que boa parte da energia utilizada na obtenção do ar-comprimido foi dissipada na forma de calor, durante o próprio processo de compressão e também ao longo do armazenamento.
O ciclo de compressão, implementado no motor, tem como função recuperar parte dessa energia perdida. Consegue melhorar o rendimento, mas não a ponto de tornar o sistema competitivo.


QUEM COMPROU A LEBRE PROVAVELMENTE NÃO SABIA QUE...
O carro a ar-comprimido não é uma nova descoberta ou invento, nem mesmo  algo inédito. A história do automóvel registra vários empreendimentos  na área. O mais consistente diz respeito a bondes em Paris no início do século XX , que pode ser visto na página WEB:  Compressed Air Trams >>

Há também registro de um automóvel em 1932 no site Aircar >>

O Motor cuja invenção é creditada ao Sr. Guy Nègre também tem descrição similar a do ciclo Mekarski que foi utilizado há mais de cem anos, como pode ser conferido no site: A Ferrovia na Rua >> 

O carro da MDI não representa independência em relação aos Gigantes do Petróleo, já que a força motriz do ar-comprimido não é uma fonte primária de energia. É simplesmente um sistema de conversão e armazenamento e que apresenta baixo rendimento global. O ar-comprimido para ser obtido requer a utilização de algum tipo de energia convencional. A razão disso é que infelizmente não é encontrado na natureza.
Também não se pode pensar nesse tipo de carro ganhando as ruas sem haver uma infraestrutura completa de produção, armazenamento e comercialização de ar-comprimido. Logicamente, essa atividade seria explorada pelas mesmas que atualmente já oferecem serviços similares.
Por outro lado uma infraestrutura assim geraria mais demanda por eletricidade exigindo altos investimentos públicos em geração e distribuição de energia elétrica, que certamente seria obtida através de combustíveis fósseis, pois não teríamos disponibilidade de fontes limpas suficientes. Assim, o consumo de combustíveis apenas seria transferido de um lugar para outro e sofreria acréscimo em função do desperdício de uma etapa intermediária, com no mínimo duas conversões de energia. Em outras palavras, o sistema proposto pelo MDI não é um produtor, mas sim um atravessador que impõe grandes perdas e custos.



 O argumento de que a energia para produzir ar-comprimido pode ser obtida através de energias renováveis ou que quase 90% da nossa eletricidade vem de fontes limpas, e que assim o carro a ar não produziria poluição, está totalmente fora da realidade.
A matriz do consumo energético nacional mostra que nossa frota veicular consome energia equivalente a aproximadamente três vezes toda a produção de energia elétrica. Um rápido cálculo, mostra que se o carro a ar-comprimido viesse a substituir um só décimo dessa frota provocaria um acréscimo de demanda  em torno de 30 a 40% da produção de energia elétrica. Com o país importando quase 10% da eletricidade de países vizinhos, por conta de um sistema já sobrecarregado, isso é algo impensável.


O carro da MDI não é seguramente mais ecológico que o carro com motor a combustão. Pois como já dito, indiretamente gera poluição por depender de fontes de energia convencionais na produção da sua força motriz, o ar-comprimido. A proposta pode até ser viável em pequena escala para diminuir a poluição localizada das cidades, mas teria que ter melhores resultados em termos de rendimento que o carro elétrico, seu mais próximo competidor - outra antiga proposta, que também depende de fontes primárias de energia.

É certo que carros a ar-comprimido não conseguem competir com carros movidos por combustível em autonomia e facilidade de abastecimento. Características que permitem que os carros comuns façam viagens, praticamente ininterruptas por milhares de quilômetros, basta lembrar os grandes prêmios de 24 horas ou mais de duração.
O combustível tem densidade energética muitas vezes maior que armazenamento de ar-comprimido ou de energia elétrica. Os carros da MDI, no estágio atual, mal atendem ao uso urbano. Se pararem por falta de ar, terão que ser rebocados até um posto de abastecimento de ar-comprimido ou até um compressor em funcionamento, bem mais difícil do que se levar 3 ou quatro litros de combustível até o carro.

Ah, quem comprou a lebre, certamente, também nunca leu "Pedro Malasarte"!





Fontes das imagens:
Abertura - http://autos.maxabout.net/uncategorized/mdi-air-car-photos/
Fechamento - http://www.motoraar.com/los-coches/historia-aire-comprimido.html

 
LINKS INCLUÍDOS APÓS A PUBLICAÇÃO DO POST
Notícia sobre a desistência da Tata Motors alegando baixa autonomia e problemas de congelamento de peças vitais do motor em climas frios, impedindo seu funcionamento. (em inglês)


Texto técnico no Blog 100nexos, bastante conciso, sobre a ineficiência do projeto:



15 comentários:

  1. Acredito que teríamos enormes ganhos com a utilização desse tipo de veículo. Hoje, consumo cerca de 200 lts de gasolina por mês, um alto custo para meu bolso e um grande prejuízo para natureza. Parabéns pelo blog e um grande abraço fraterno. Excelente iniciativa. Hélio Duarte

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  2. Olá, Rômulo. Passei para ler sua matéria e agradecer sua visita. Obrigada também pelas explicações.Valeu! Afinal, quem entende, entende! (E, neste assunto, eu admito: não é minha praia) Seu blog é ótimo! Vou segui-lo. Abraços!

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  3. depois de ler estes posts fiquei com uma dúvida: Se precisamos de compressores de ar nos postos de combustíveis para comprimir o ar para os veículos, isso de certa maneira já acontece ? Nossos postos de GNV, pelo menos no RJ já possuem este aparato, não sei bem para que. Compressor ligado direto ou pelo menos toda vez que ia abastecer. Se diziam que o GNV é mais ecológico, então o ar comprimido deveria ser mais ainda. Outra dúvida que me ocorreu é que no caso do Brasil, até onde descobri, mais de 90% da energia eletrica é hidroeletrica, ou seja limpa, (não levo em conta o impacto dos lagos e coisa e tal), o que me leva a imaginar que para paises como o Brasil seria muito adequado. Já estamos acostumados a carros pequenos (apesar das poderosas estarem tentando mudar isso), temos postos com compressores de ar, nossa energia é limpa, temos um clima quente que pelo que entendi facilita a tecnologia. Poderia imaginar mesmo no futuro postos com captação de luz solar que pelo menos durante o dia colaboraria no processo (não sei se isso é viável), posso ir mais longe, isso poderia acontecer em casa. O mais bacana disso tudo é que poderiamos ter um veículo 100% nacional ( Antônio "Pedro" Dariva).

    Os caras mandaram um bando de milicos para a Lua querem mandar uns caras pra Marte, mas parar de usar SUVs nem pensar né ?

    Teremos outras Falacias ? ou vai ficar nessa só ?

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  4. Betty Cires,
    Fico muito alegre com sua visita.
    Espero que os post´s correspondam às expectativas. Obrigado pela avaliação generosa e incentivo.
    Abraço

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  5. Anônimo,
    Temos um novo post. Desta vez o carro a água é o foco. Não ficaremos só nestas duas. Tenho algumas pautas em vista, mas, as postagens serão espaçadas por conta do tempo que posso dedicar ao blog.
    Quanto a sua dúvida em relação a os postos de GNV utilizarem energia nos compressores. Gostaria de lembrar de para o GNV a energia gasta é bem menos do que seria exigido para recarregar os cilindros de ar-comprimido como o do carro da MDI. Para o GNV a pressão e o volume são bem menores. A compressão visa apenas economizar volume no reservatório do gás no carro, a combustão é que vai gerar a energia no motor.
    No carro a ar-comprimido a pressão do ar é a própria energia disponível que irá movimentar o motor. A diferença entre um compressor e outro é enorme. Não daria para produzir ar-comprimido em volume suficiente para abastecer comercialmente carros MDI nos postos atuais. As instalações seriam grandes e complexas, exigindo trocadores de calor etc. Em escala, exigiria um organização industrial.
    Sua observação quanto a nossa energia elétrica vir de hidrelétricas é correta.
    Verifiquei no Relatório do Ministério de Minas e Energia que a eletricidade proviniente de fontes de energia renovável corresponde a ~ 85%. A geração hidraulica corresponde a ~77%.
    O problema é que se um carro como o da MDI fosse incorporado em nossa frota em números significativos geraria uma demanda enorme de energia elétrica, provocando grande necessidade de expansão em um sistema que já dá sinais de sobre-cargas. Vide os apagões.
    Mas, acho que a alternativa do ar-comprimido deve ser pesquisada estrategicamente pelos órgãos governamentais, principalmente universides. Só não concordo com a forma que o Sr. Guy Nègre se apossou e explora a idéia.
    Abraço e obrigado pela visita e comentários.

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  6. Aí Hélio Duarte,
    Temos que mudar nosso ritmo e direção em relação a utilização dos recursos do meio-ambiente. Ainda bem, que está existindo cada vez mais atenção nesse sentido. Mais é um longo caminho e que exige tomadas rápidas de atitudes.
    Obrigado pela visita. Grande abraço, irmão.

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  7. Anônimo,
    Depois de responder seu comentário, verifiquei que seus números em relação ao percentual da energia hidrelética produzida no Brasil estão mais próximos da realidade do que os que coletei no relatório do MME. É que os de lá considera o consumo. Incluindo 8% que é importado de quatro países vizinhos: Argentina, Uruguai, Bolívia e Venezuela.
    Se considerarmos só nossa geração o percentual da hidraulica sobe para ~82%. E se considerarmos enegias renováveis então vai a ~92%. Nada mal!
    Mas, esses 8% de importação mostram as difiuldades do Brasil em atender o crescente consumo de energia elétrica no nosso país. As importações iniciaaram-se em 2007. Quando começamos a ter incidência de blackouts. Segue link para o relatório do Ministério das Minas e Energia:
    https://ben.epe.gov.br/downloads/Relatorio_Final_BEN_2010.pdf

    Abraço

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  8. Amigo, Tudo bem gostei de seu post. Gostaria apenas comentar que tudo não passa de definição clara de prioridades. O que não podemos mais é continuar com o modelo atual de queima de combustíveis fósseis. A matriz energética brasileira pode e dever ser redefinida, com a utilização maior de energia limpa. Não me importo se o motor a ar comprimido já é antigo. Temos que tomar iniciativa de utilizá-lo. Estou disposto a investir em um carro desses para utilizar só em área urbana. Já estarei fazendo a minha parte de não poluir o ar que respiramos...

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  9. Prezado Carlos,
    Minha intenção aqui foi denunciar o oportunismo do Sr. Guy Nègre que se vale de pessoas de boa índole e preocupadas com o futuro do planeta para aplicar o conto do vigário e obter vantagens financeiras.
    Infelizmente automóveis a ar-comprimido não contribuem na geração da matriz elétrica e são comprovadamente ineficientes. Mostra disso é que nenhuma universidade até hoje endossou a alternativa do carro a ar tal como o concebido por Guy Nègre.

    Soluções consistentes estão surgindo, ainda que em ritmo lento. Aumento de eficiência dos motores e veículos, carros híbridos que aproveitam energia da frenagem e principalmente o investimento de produção de eletricidade a partir de energias limpas. Esse último é o que viabilizará veículos elétricos ou a hidrogênio verdadeiramente limpos e passa pelo barateamento da energia eólica, produção de energia solar em prédios e residencias interligadas a rede elétrica etc. Não será fácil, ainda consumimos muitas vezes mais energia do petróleo nos transportes do que geramos eletricidade. Um longo caminho que exigirá mudança de hábitos e determinação. Também teremos que estar alertas a golpistas aproveitadores que se apresentarão como salvadores do planeta.

    Por fim, acredite; não sou contra busca ne novas alternativas, muito pelo contrário, há mais de três décadas me dedico as energias renováveis como estudioso amador. Já mantive site por dez anos,vajei para conhecer e divulgar muitos empreendimentos, sempre arcando com todas as despesas.
    Agora estou numa fase de reclusão, estudando e tentando dimensionar algumas faces do problema. Em breve, retornarei com o site dedicado as energias renováveis.

    Obrigado por seu comentário.

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  10. Obrigado pelo seu Blog e por sua explicação baseada em fatos e não em notícias. recebi um e-mail com um video de uma reportagem e pensei em encaminhar para todos que conhecia, mas o título era apelativo e a matéria antiga, para ainda não ter tido boa repercussão. Fui procurar na internet mas informações e achei sua página. Obrigado por mostrar " o gato por lebre" .

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  11. Excelente o seu Post. Finalmente encontrei uma informação definitiva sobre os carros da MDI. Só fiquei como uma dúvida: você disse que "Não daria para produzir ar-comprimido em volume suficiente para abastecer comercialmente carros MDI nos postos atuais. As instalações seriam grandes e complexas, exigindo trocadores de calor etc. Em escala, exigiria um organização industrial."
    Aqueles compressores que hoje utilizamos para calibrar os pneus não seriam o suficiente?

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  12. JMJR,
    Obrigado pela visita.
    Sobre a produção de ar-comprimido em postos, se for para atender uma demanda equivalente a dos carros atuais seria necessário instalações consideráveis. Bem maiores que as destinadas ao enchimento de pneus. Nada impossível ou inviável tecnicamente, mas exigiria grandes investimentos e novos espaços, bem como gerenciamento de uma nova atividade.
    Para se ter uma idéia, a pressão de trabalho nos cilindros do Carro da MDI é altíssima, o volume também. Enchê-los significa confinar 90 metros cúbicos de ar fresco em reservatórios de poucos litros de volume, resultando numa pressão de 300 Bar. Num pneu de automóvel a pressão recomendada fica abaixo de 3 Bar que equivale a 43 PSI ou "Libras", como chamamos corriqueiramente. Lembrando ainda que volume do pneu é também muito inferior ao dos cilindros.
    Recarregar os cilindros de vários carros a ar-comprimido durante o dia com pressão tão elevada e cada enchimento tendo que ser feito em poucos minutos, requer o trabalho de compressores grandes com motores bem mais potentes que o dos automóveis abastecidos. Instalações com compressores grandes requerem torres de resfriamento e muita água circulando, para evitar que haja superaquecimento, além de motores igualmente grandes e potentes para acioná-los.
    Conheço algumas instalações em fábricas para produção de ar-comprimido para as máquinas de produção. Algumas que lembro têm potência em torno de 50 CV e já são bem grandinhas.
    Uma alternativa seria reabastecer tais carros em casa. A MDI desenvolveu alguns compressores portáteis para esse fim, mas nesse caso seriam necessárias algumas horas para o enchimento completo dos cilindros. Provavelmente a melhor solução seria um misto dos dois como está se configurando com os carros elétricos. Mas, como disse esse é só um lado da questão.

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  13. Extra, extra...
    Não é que a Tata anunciou que vai dar continuidade ao projeto do carro a ar-comprimido. Confirmei no site da Tata Motors:

    http://www.tatamotors.com/media/press-releases.php?id=750

    Para mim é um grande surpresa. Não acreditava que alguma empresa séria e competente desse crédito a MDI. Mas, aconteceu. Acompanharei assiduamente as novas notícias oficiais.

    .

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  14. Meu amigo, quanta dedicação para denegrir a tecnologia de ar comprimido. Infra estrutura para abastecimento? O gnv tomou conta do brasil em 2 anos. Custo de todo o processo envolvido? Meu amigo, é ar. Eu posso coprimi-lo em casa. Pra mim ficou claro. Em qual empresa você trabalha? Shell ou Haliburton?

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    1. Prezado Ricardo,

      Não quero denegrir nada nem ninguém. O que me motivou este post foi a vigarice deslavada do Sr. Guy Nègre. Iludiu muitas pessoas e ganhou muito dinheiro vendendo falsas promessas e ideias antigas e já testadas como sendo invenções dele.

      Sobre suas colocações; Sim, suas comparações são pertinentes como princípio, mas o problema é quanto vamos aos resultados comparativos com números. Então vamos por partes.

      1 - "Eu posso comprimi-lo em casa" (ar comprimido): Sim, pode mas será que vale a pena? Veja no texto do link seguinte a informação de que com o compressor a bordo da MDI isso levaria de 3 a 4 horas, acredito que seria mais. Pois estamos falando de 90 m cúbicos de ar a 300 bar. http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/tema-livre/fotos-parece-inacreditavel-mas-novo-carro-movido-a-ar-comprimido-pode-comecar-a-circular-em-agosto/
      Outro ponto é quanto essa recarga nos permitiria rodar com o carro da MDI, veremos a seguir.

      2 - "Infra estrutura para abastecimento? O GNV tomou conta do Brasil em 2 anos.": Ricardo, o GNV é um combustível. Sem muitos cálculos e numa pesquisa rápida podemos ver que necessitaríamos de muito mais ar comprimido de ao invés de GNV os carros fossem movidos a ar. Por exemplo um cilindro de GNV de 21 m3, com 210 bar de pressão, dá a um carro de passeio uma autonomia média de 270 km ( veja o site http://gaspoint.com.br/gnv/cilindro.asp). Já o carro da MDI tem cilindro de 90 m3, pressão de 300 bar. Com tudo isso a autonomia, do carro muito leve da MDI, não ia além dos 50 km, segundo a Tata. Num cálculo rápido veremos que seria necessário de 25 a 50 vezes mais ar comprimido que GNV para mover a mesma frota. Como a pressão é maior o processo gastaria de 60 a 120 vezes mais energia para comprimir o ar necessário do que se gasta para o GNV equivalente.
      Sugiro que você se informe em algum posto de GNV os custos de energia e manutenção de uma Unidade de Compressão de Gás Natural, daquelas instaladas nos postos. Verá que já não são baixos, então multiplique por 60 vezes. E lembre-se não dá para vender o m3 de ar comprimido pelo mesmo valor que se vende o GNV. Pois ele rende algo em torno de 30 vezes menos.

      Por fim, não trabalho em nenhuma multinacional. E o que escrevo não tem relação com meu emprego.
      Escrevo como cidadão que quer um mundo melhor e mais limpo, mas abomina pessoas como Sr. Nègre que se aproveita da situação para enganar pessoas.
      Se você visitar meu outro blog sobre energias renováveis verá que eu busco tanto quanto você soluções limpas e sustentáveis. Já andei muito do Brasil divulgando soluções como biodigestores, micro turbinas, energia eólica, solar etc. Parte disso está registrado no meu blog:

      http://aondevamos-energiasrenovaveis.blogspot.com.br/

      Saudações cordiais


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